Galeria Bernardo Marques
Benim, de Corpo e Alma
A Galeria Bernardo Marques, inaugura dia 9 de Fevereiro, entre as 17 e as 22 horas a exposição “Benim, de Corpo e Alma”, serão expostas obras de Aplogan, Aston, Ladis, Quenum, Placide, Tchif e Zinkpè, sete artistas contemporâneos do Benim, que utilizam técnicas como a pintura sobre tela, pintura sobre papel, escultura e fotografia.
A curadoria está a cargo de André-J. Jolly e será editado um catálogo com texto crítico do curador. A exposição encerra no dia 19 de Março.
“Já há alguns anos, assistimos no Ocidente a um crescimento, cada vez maior no âmbito das manifestações culturais e artísticas, da presença de artistas africanos. No campo da música, o fenómeno é mais notório e antigo. Mas agora, os campos da literatura, da dança contemporânea ou das artes plásticas estão investidos por artistas africanos de primeiro plano.
No continente africano, um país destaca-se pela riqueza da sua produção em matéria de artes plásticas: o Benim, antigo Daomé, pequeno país de apenas 6 milhões de habitantes na África Ocidental.
Uma das particularidades do Benim é a riqueza de culturas tradicionais que continuam muito presentes até hoje. E as tradições são, antes de tudo, a expressão da poderosa espiritualidade que caracteriza os cultos tradicionais e impregna a vida quotidiana. Não é, então, por acaso que as obras dos artistas beninenses estejam marcadas por uma carga emocional muito forte.
Essas tradições falam directamente à sensibilidade do homem. Mas também, numa época em que a informação penetra até os menores recantos do nosso universo globalizado, o artista africano, não está apenas em sintonia com esse (seu) mundo interior, mas está também impregnado da informação que circula e seu trabalho, sem deixar de estar sólidamente enraizado nas tradições, adquire uma dimensão universal. O artista beninense «transpõe, literalmente, com uma pernada, os oceanos para criar passarelas, elaborar uma rede entre os continentes, mas também entre as culturas, as gerações, os povos, as histórias e as diversas temporalidades. Sua obra não é exótico-africana, ela acompanha-nos num pensamento profundamente humano. Ele assume o passado, testemunha o presente e interpela o futuro.»
Portanto, não é por acaso que esse pequeno país pode orgulhar-se de artistas que expuseram em quase todos os continentes e nas mais prestiginosas bienais e outras manifestações de arte contemporânea, como a Bienal de Veneza, a de Joanesburgo, a de São Paulo, a de Dakar, a Trienal de Stuttgart ou a Documenta de Kassel.
Consequentemente, não é por nenhum acaso que obras de artistas contemporâneos beninenses estejam já presentes no British Museum em Londres, no Centro Georges Pompidou em Paris, em vários museus da Holanda, da Bélgica, da Alemanha, da Áustria, dos Estados Unidos, do Japão, da Coreia, em Cuba ou ainda no Museu Afro-Brasil em São Paulo. E também que haja coleccionadores famosos que, dedicando-se agora exclusivamente às obras dos artistas contemporâneos de África, como, Jean-Paul Blachère na França ou a colecção Pigozzi na Itália, tenham adquirido muitas obras oriundas do Benim.
Tomando uma posição vanguardista para com a arte contemporânea em África, a Galeria Bernardo Marques mostra pela primeira vez obras que traduzem, ao mesmo tempo, essa dualidade tradição-contemporaneidade, e o carácter universal das mensagens que essas comunicam ao espectador. Os artistas beninenses aqui presentes mostram uma arte cheia de invenções e de vitalidade ao mesmo tempo em que levantam os problemas da arte contemporânea na África.”
André-J. Jolly
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Galeria Bernardo Marques
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